O que é a Perda de Retorno?
A perda de retorno é um parâmetro técnico crucial em sistemas de cablagem, tanto de par trançado de cobre como de fibra ótica. Esta mede a relação entre a potência do sinal injetada numa fonte e a quantidade de sinal refletida de volta para essa mesma fonte. Quanto mais potência for refletida, menor será a potência disponível na outra extremidade do cabo. Consequentemente, isso pode interferir na qualidade do sinal transmitido, aumentando a perda de inserção e, portanto, degradando a transmissão.
Nos sistemas de fibra ótica, uma perda de retorno elevada pode causar danos ao transceptor laser. Este é um dos parâmetros mais importantes para garantir a integridade e o bom desempenho das comunicações óticas.
Como Calcular a Perda de Retorno
A perda de retorno é expressa em decibéis (dB) e calculada comparando a potência de entrada (ou incidente) com a potência refletida. A fórmula para calcular a perda de retorno é a seguinte:
Perda de Retorno = 10 * log (potência incidente/potência refletida) in + dB
O valor resultante é sempre positivo, e um número mais elevado indica um desempenho superior. No cenário ideal, se nenhuma potência fosse refletida de volta, a perda de retorno seria infinita, o que indicaria um sistema sem distorções.
Perda de Retorno vs. Refletância
A refletância é o oposto da perda. Enquanto a perda mede a potência injetada comparada à refletida, a refletância mede a potência refletida relativamente à injetada. A refletância também é expressa em dB, mas com um valor negativo, segundo a fórmula:
Refletância = 10 * log (potência refletida/potência incidente) in – dB
Em suma, quanto menor o valor da refletância, melhor o desempenho. Tanto a perda de retorno quanto a refletância afetam a integridade do sinal, e valores mais afastados de zero indicam um sistema mais eficiente.
Perda de Retorno em Fibra Ótica
Nos sistemas de fibra ótica, a perda de retorno é substancialmente menor do que em sistemas de cobre, permitindo que as fibras óticas suportem distâncias maiores. A redução de retorno ótica típica varia entre 20 dB e 75 dB, dependendo do tipo de fibra e das suas características técnicas.
Para medir a refletância em pontos de conexão individuais, é comum o uso de um OTDR (Reflectómetro no Domínio do Tempo Ótico). Este dispositivo avalia a quantidade de luz refletida por eventos como emendas ou conectores, identificando falhas no sistema com precisão.
Causas da Perda de Retorno em Sistemas de Fibra Ótica
A perda de retorno em sistemas de fibra ótica é geralmente causada pelas reflexões de Fresnel nos pontos de conexão, como conectores ou emendas. A sujidade nas faces dos conectores é a causa mais comum, podendo degradar o desempenho em mais de 20 dB. Outros fatores incluem superfícies de conectores mal polidas, fissuras na fibra, desalinhamentos dos núcleos e impurezas no processo de fabrico.
Além disso, o ângulo da face do conector é outro fator que afeta o retorno. Conectores UPC (Ultra Physical Contact) têm uma face arredondada, enquanto conectores APC (Angled Physical Contact) possuem uma inclinação de 8 graus, que direciona a luz refletida para o revestimento, reduzindo a quantidade de luz que retorna ao núcleo da fibra.
Requisitos de Perda de Retorno
Um bom desempenho de perda de retorno está ligado a uma boa perda de inserção, garantindo a certificação de atenuação dos sistemas de fibra ótica. Quando os valores de perda são insuficientes, o sistema pode falhar nos testes de certificação e comprometer a qualidade da ligação.
Algumas aplicações, como os sistemas modo único de curto alcance DR e FR, são particularmente sensíveis à refletância. Nestes casos, as normas IEEE especificam valores de refletância adequados, que podem exigir a redução de pares acoplados ou a diminuição da perda de inserção máxima permitida.
Ferramentas para Testar Perda de Retorno em Sistemas de Fibra Ótica
Para realizar testes de perda em sistemas de fibra ótica, os técnicos utilizam amplamente o OTDR. Este equipamento emite pulsos de luz de alta potência que refletem em pontos onde ocorrem eventos, como emendas, curvaturas ou terminais da fibra. A luz refletida é então traçada e analisada, o que permite identificar problemas.
Além disso, o OTDR mede o retrodifusão total da ligação, o que é essencial para detetar falhas em ligações modo único de curto alcance.
Procedimento de Teste
O teste de perda com um OTDR requer o uso de cordões de lançamento e terminação, que permitem incluir a refletância do primeiro e último conector no cálculo total. Portanto, é essencial que os testes sejam feitos em ambas as direções, já que a refletância pode variar dependendo da direção.
Um OTDR traça a luz refletida num gráfico que facilita a interpretação dos eventos ao longo da ligação. Utilizadores experientes conseguem identificar com precisão falhas em conectores, emendas ou até no final da fibra.
Perda de Retorno em Sistemas de Cobre
Nos sistemas de cobre, esta perda também é um parâmetro essencial. Contudo, a perda em cobre varia conforme a frequência do sinal. Em frequências mais elevadas, a perda de retorno tende a ser mais pronunciada. Por exemplo, a perda de retorno máxima permitida para cabos Categoria 5e é de cerca de 16 dB a 100 MHz, enquanto para cabos categorias 6A, a 500 MHz, é de apenas 8 dB.
Excesso de perda de retorno nos cabos de cobre pode resultar em diafonia, distorções de sinal e um aumento nas taxas de erro de bits.
Causas da Perda de Retorno em Sistemas de Cobre
As reflexões Fresnel nos pontos de conexão, como conectores e emendas, causam principalmente a perda de retorno num sistema de fibra ótica. Entre as causas mais comuns, as faces sujas das extremidades dos conectores destacam-se, degradando a perda de retorno em 20 dB ou mais. Faces de extremidade mal polidas, conectores mal acoplados, incluindo espaços de ar e desalinhamentos de núcleo, rachaduras na fibra, extremidades de fibra abertas e impurezas introduzidas no núcleo durante o processo de fabricação também contribuem para a perda de retorno. As micro e macrocurvas na fibra que podem ocorrer como resultado de tensões de instalação, como exceder o raio de curvatura ou os requisitos de tensão de tração, também podem afetar a perda de retorno.
O ângulo da extremidade de um conector também pode ter um impacto na perda de retorno. A face da extremidade de um conector UPC (ultra contacto físico) é ligeiramente arredondada, enquanto uma face da extremidade APC (contacto físico angular) é inclinada a 8 graus.

Quando acopla dois conectores UPC, a reflexão direciona-se diretamente para trás através do núcleo da fibra, retornando à fonte. No entanto, a face angular da extremidade de um conector APC direciona grande parte da luz refletida em ângulo, permitindo que o revestimento em torno do núcleo da fibra a absorva. Enquanto um bom conector modo único UPC terá um valor de -50 dB ou inferior, um conector modo único APC é tipicamente -60 dB ou inferior. A conetividade APC é, portanto, frequentemente implantada em aplicações de fibra que são mais suscetíveis à reflexão. (Saiba mais sobre a conetividade de fibra APC).
O que Faz um Bom Equipamento de Teste?
Para garantir medições precisas em ambos os sistemas, é essencial escolher o equipamento correto. Um bom tester de perda de retorno deve ser capaz de realizar testes OTDR e testes de certificação tanto para fibra multi modo como modo único. A capacidade de interpretar automaticamente os traços de luz refletida e identificar eventos reflexivos é essencial para agilizar o diagnóstico e a resolução de problemas.
Nos sistemas de cobre, é igualmente importante que o equipamento certifique as normas TIA e IEC, garantindo medições precisas para todas as categorias de cablagem.
Fonte: Fluke Networks


